segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Se ajuda que esse mundo é seu!



"De todas as pessoas que eu conheço, eu sou a que mais consome conteúdo de autoajuda".

Costumava dizer isso e achar uma prisão, mas a verdade é que pouco tempo atrás descobri que isso é bom, isso é ótimo, porque isso sou eu, com uma das formas de me perceber, me situar e me direcionar ao próximo passo.

Além de todos os privilégios que um ser humano pode ter ele também sempre terá dores, histórias de culpa, excesso, abandono, cicatrizes. E terá de aprender a lidar com esses registros, de alguma forma. 

Até encontrarmos nossa rede de apoio, a investigação é solitária e depois, mesmo com a presença e o auxilio da rede, a travessia continua sendo individual, pessoal, única, com nossas únicas formas de encontrarmos o espelho das nossas almas.

A autoajuda não precisa trazer aquele peso de "tenho muitos problemas, sou um patinho feio, minha família não me compreende". Por mais que possa ser verdade tudo isso, e muitas vezes é, lembre que até o lindo do patinho feio na verdade era um cisne. O que me ajuda a buscar a bendita autoajuda é justamente o fato de eu não ter esse suporte na maior parte do tempo com pessoas próximas e outra, ninguém mais é responsável pela nossa força emocional além de nós mesmos. É como o bíceps, o quadríceps ou aquele grupo que deixa a pessoa com tanquinho: a gente tem que treinar os próprios músculos, levantar os pesos, transpirar e comer proteína depois. 

Aprender a lidar com a forma do funcionamento do nosso corpo emocional requer cuidado também, procedimento, percepção. O tempo que passou não foi perdido, assim como a pizza comida ou aquela bebedeira que matou o treino da semana. Aprendi com os erros e, se não tiver um santo de uma pessoa próxima para me dar colinho neste momento eu vou buscar algum conteúdo de fora, e ok. Então aos poucos eu desenvolvo apreço por mim, força interior e continuo consumindo autoajuda, porque ela me fez bem antes quando eu me achava a pessoa mais problemática do mundo, ela me faz bem agora que eu estou amando conviver comigo mesma e tenho certeza que ela me fará bem lá na frente, porque eu sempre terei um desafio novo e algo para aprender sobre mim mesma.  

É como o que eu escrevo por aqui: parte de mim ama postar textão, parte de mim se apraz às frases curtas de pseudo ou real impacto. Todas as partes são minhas, são amadas, queridas e tratadas, sejam queloides ou casquinhas que logo sairão da minha pele. Eu faço parte do clã das cicatrizes: procuro, encontro e acesso auxílio e sim, de todas as pessoas que eu conheço, eu sou a que mais consome conteúdo de autoajuda. Ainda bem.


Petisco: Em Você, canção de minha autoria, mesmo. Em breve, por aí.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Tapete de ovos

Que amor é esse que me dá um tapete de ovos?
Que me joga culpa?
Que foge de mim?

Que amor é esse que me pede desculpa,
Que diz que sente tanto,
Mas que não fala para mim?

Que amor é esse que sofre sozinho,
Que me joga de canto
E no calor da briga diz,
Para me atacar,
Que pensava e que ia dizer que estava a me amar!?

O passivo-agressivo é abusivo
O passivo-agressivo é obsessivo
O passivo-agressivo não é compromisso:
O passivo-agressivo também é um vício.


terça-feira, 14 de maio de 2019

Cansando das redes sociais



Sou do tempo em que as fotos eram sem filtro, sem tela para ver como iam ficar, sem câmera frontal e por consequência, sem efeito embelezador.

Naquele tempo a gente registrava momentos que queríamos relembrar depois, então a gente terminava de bater todas as poses do filme, revelava ele e se divertia ou frustrava vendo olhos que ficaram vermelhos ou que saíram fechados, fotos tremidas, manchas, sorrisos e sobriedades.

Aqueles papeis, as fotografias, eram colocados em álbuns e algumas tinham o destaque ao irem parar em algum porta-retrato espalhado pela nossa casa, pela casa da avó.

As fotos agora são objetos para se legendar e divulgar por aí, sem permanência, sem tanta lembrança, sem cultivo de relações ou de memória. Sem vida manifestada, apenas simulada para que se poste e alguém curta ou comente com símbolos de carinhas (uau, que "comunicação" empolgante!)

Hoje pedi para a minha mãe tirar essa foto, do nada, quando saía para o treino. Tive um carinho especial por ela porque vi nesta foto muitas paixões e já logo pensei numa legenda: Quantas paixões cabem numa foto?" Mas aprofundei a reflexão: "É uma foto memorável, cheia de significados para mim! Não pode ficar perdida num mero servidor de rede social. É o símbolo de uma época!"

Então eu refleti mais ainda, sobre o que mudou tanto que nos fez transformar um mesmo objeto, que antes era tão recheado e permanente, em algo totalmente fugaz e sem sentido. A imagem não precisa ter efeito para os outros, ela só precisa ser valiosa para você. Então qual o sentido de se ter um álbum bidimensional público? Uma galeria de momentos seus que você deixa pra trás no momento em que publica e que, no fim das contas, ninguém mais vai dar muita importância?

Desconfio que meus tempos por essas redes estão com os dias contados. Depois de tanto esvaziar a importância dos meus momentos vividos ou sonhados, percebo que a inutilidade desses ambientes está, enfim, sendo revelada.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O Ator Criador, de Reinaldo Maia



Alicerçado em dois principais eixos, sendo eles o autoconhecimento e o enfrentamento da indústria do lazer, Reinaldo Maia reflete sobre a importância das atitudes de um ator no teatro.

Citando diversos exemplos de doutrinas e filosofias, passando por Platão, pelo Tao e fazendo paralelos com a Alquimia, o autor frisa o quanto é necessário que o ator crie à sua volta, utilizando da imaginação.

Criar não apenas no sentido de fazer um novo trabalho, mas de gerar uma sensação nova, principalmente dentro de si, o que fatalmente acabará por atingir o público de maneira menos superficial.

Em "O Ator Criador", Reinaldo defende a riqueza do fator vivência para o fazer teatral, em detrimento da supervalorização da técnica e do teatro comercial que fazem da arte, na opinião dele, um produto, um artigo de prateleira. Neste caso existe inclusive a conceituação que o autor faz do ator que tem o teatro como forma de projeção visual e lucro (artífice) e aquele que faz teatro devido a uma necessidade vital (artífex).

O livro, curto em número de páginas, é demasiado longo para passar a ideia da obra, dando a impressão que Reinaldo Maia pretende incansavelmente (quase que em um apelo) convencer o leitor de seu ponto de vista. Suas análises são muito pertinentes e servem de um grande aprendizado, mas o livro em si gira em torno da repetição de conceitos ao longo de suas páginas, o que é um recurso válido para memorização e assimilação do conteúdo, mas que torna a leitura em si um tanto quanto exigente.

Destaque ao paralelo feito por Maia entre elementos físicos e elementos inerentes a qualquer ator: é necessário construir um templo (sendo este o corpo do ator), é necessário adentrar ao templo (autoconhecimento) e é necessário que se siga um sacerdote (disciplina e métodos de estudo e desenvolvimento do trabalho artístico).

E já que o livro em grande parte é também um compilado de citações, em homenagem a quem o escreveu, destaco: "Processo e resultado não se distinguem, mas são etapas dessa busca da essência do ofício de representar".


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Giramundo!


Um dia eu ganhei um giramundo, faz quase um ano, e fiquei muito contente. Era um artesanato feito por uma senhora, era lindo e no saquinho vinha logo dois, de diferentes tamanhos... como não gostar? Senti algo muito bom, porque adoro receber presentes com um toque feito pela pessoa que presenteia e por vezes também faço isso para presentear alguém. Mas senti algo mais naquele momento... e guardei essa sensação e essa lembrança comigo.

Um belo dia resolvi "ativar" meus giramundos, ou seja, tirar do saquinho e fui pesquisar o que significava ele, porque pelo o que sentia, eu desconfiava que era algo além de "simplesmente" uma estrela muito bem feita. Enfim.

Descobri coisas incríveis sobre ele, como por exemplo, o fato dele ser uma peça feita por tradição desde o período colonial, quando as mães, que haviam guardado retalhos de roupas das filhas (do vestidinho do batismo e outras datas importantes que marcam etapas de desenvolvimento da mulher - olha o significado disso!), montavam a estrela e presenteavam as filhas no dia do casamento.

Era comum as mães e filhas não se verem mais depois do casamento caso as fazendas fossem distantes e as visitas difíceis de serem realizadas, então a mãe colocava moedas que poderiam um dia ser usadas pela filha para uma emergência financeira. Esse era o segredo delas. Atualmente a confecção da peça é ensinada em escolas, onde se faz uma fenda para servir de cofrinho da garotada. 

Outras mulheres que também faziam giramundos eram as curandeiras que, enquanto teciam e montavam, rezavam pelo doente em questão. Essa costura feita de orações (olha o poder!) era entregue ao doente como amuleto para sua recuperação.

Essa peça linda que pode ser pequena como uma bola de golfe ou grande como uma de basquete também era muito usada para enfeitar casas durante festas, servindo de boas vindas e votos de felicidade para quem estivesse presente. Imagina, uma varanda cheia de giramundos, todos coloridos!

Giramundo, estrela da felicidade, segredo, carambola... são tantos nomes para este objeto lindo! Mas o que mais me chamou à atenção é o fato de que ele nos remonta invariavelmente à ancestralidade, aos mistérios de mulheres que usavam de suas possibilidades e poderes para manter a continuidade e a preservação da vida.  

O mundo gira, os tempos mudam, vidas vêm e vão, mas existe uma magia concretizada nesse objeto e que, independente da época ou de quem o faça, é ainda sentida, captada e percebida por quem o recebe. Bruxaria da melhor qualidade!

Petisco: escute uma música que te faça sentir feliz e sentir a delícia de ser herdeira dessa magia que também é sua!

domingo, 16 de dezembro de 2018

Num dia 16

Uma princesa
Um plebeu
E uma criança que mal nasceu
E se foi

A maldição da ganância
Que bota o amor pra correr
E que volta, quase que ao contrário
Para vê-lo novamente nascer

O menino que se vai antes do tempo
O homem que se retira mais cedo
Antes do Sol raiar

O tempo, que não volta, mas tenta
Em outro momento-lugar
É a fé, a coragem e a vida
Que persiste, insiste:
É essa que veio reinar.

domingo, 3 de junho de 2018

Treze de maio

O papel é um lindo que aceita tudo, inclusive a ideia de que somos livres.

A escravidão de negros, que é a mais próxima da história do Brasil, tinha o caráter físico de dominação, evidente, mas era um pouco mais cruel do que "apenas" físico.

Antes de trazer as pessoas para cá, os dominadores obrigavam os povos a dar sete voltas ao contrário da árvore-mãe de sua tribo, sabendo que isso simbolizava renegar sua força, sua ancestralidade, sua devoção e o cerne de sua existência neste mundo. Cruel.

Cruel e, sobretudo, ineficaz.

Assim como, para além do caráter econômico, em nossa escravidão contemporânea percebemos também o fator psicológico, o social, o cultural, etc..., temos a oportunidade de libertação ao nos ligar com nossa essência, que tudo é.

Seja por meio de um transe ritualístico, de um momento intenso de prazer, do calor de um abraço ou da paz de se atender interna e verdadeiramente, experimentamos a liberdade, ainda que estejamos aprisionados no corpo físico e sujeitos a todos os emaranhados de dominação que existem na matéria. Somos, portanto, verdadeiros escravos de espírito livre.

Parece confuso, mas já que o papel é democrático, a linda da Cecilia Meireles registrou em seus escritos o seguinte: "Liberdade: uma palavra que o sonho humano alimenta. Que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."

Petisco: Canto das Tres Raças, na voz de Clara Nunes

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Às vezes - um pouco - doente


Às vezes a gente fica um pouco doente: a gente teima em algum comportamento e o corpo diz: pare, agora. E a gente é obrigado a mudar tudo e dar atenção para quem a gente devia ter dado atenção. O corpo? Também.

Antes de chegar no nível da fala, o pensamento pode ser mudado. Antes de chegar no nível do hábito, o pensamento também pode ser mudado. Mas ele nunca pode ser mudado se não for percebido.

Perceber é o primeiro estágio para a mudança de pensamento. Sim, a mente não dá trégua e não quer mudar assim, sem mais nem menos. Mas querida, minha vida é um Universo e o que eu precisar mudar em você para abraçar, explorar e me deleitar nesse Universo eu vou. Sinto? Nada, quase nada, só uma pontinha de apego que, a mando da mente, corre comendo poeira, tentando me atazanar.

Às vezes, um pouco, doente. Percebo, aceito, investigo, descubro, combato e sigo adiante. Gratidão ao chuveiro, à cama, ao alimento e aos escritos que me acompanham enquanto o corpo fica aqui, quentinho e quietinho, conversando, argumentando e silenciando a mente.

Petisco? Um vitaminado, por favor! ^^

domingo, 1 de abril de 2018

Hoje é Páscoa


Hoje é sobre chocolates, sobre almoço de domingo, sobre feriadão, viagem, curtição, bebedeira e música alta.

Antigamente era sobre o florescimento da primavera, sobre a libertação dos hebreus diante dos egípcios, sobre a ascensão de Jesus aos céus, sobre a Lua cheia... antigamente era sobre o sagrado. Não é mais.

Eu sinto a Páscoa diferente de como sinto o Natal. Por mais que haja o apelo comercial, ele parece menos alarmante do que no final do ano - e talvez menos possível, já que não existe um salário extra nessa época do ano.

De qualquer forma a reflexão sobre a conexão essencial se perde na nossa sociedade e vejo muito mais gente se endividando para pagar ovo de chocolate do que procurando sentir o sagrado deste momento.

Tudo isso é válido também, já que estamos nesse constante ciclo de experiências e aprendizado e se optarmos por beber, curtir, meditar, comer ou dormir o dia inteiro temos todo o direito também. Só penso que para tudo devemos tentar ver sentido, senão nem mesmo a curtição terá seu proveito. Bom: a Páscoa está aí: o que vamos fazer?

terça-feira, 13 de março de 2018

Aceitar a tristeza para ter mais alegria


Vivemos numa sociedade em que a tristeza é marginalizada e a busca pela satisfação constante é fomentada de tal maneira como se fosse indispensável estar o tempo todo feliz... e como se fosse possível. Logo, a existência da tristeza ainda é contestada, porém sua utilidade é inegável.

Estar triste é indesejado, ninguém deseja se sentir mal, mas assim como todos os outros sentimentos, ficar triste é algo que surge sem que a gente escolha, algo como uma reação instintiva a determinado estímulo associado ao estado emocional do momento em que ele, o estímulo, ocorre.

Você não precisa ser adepto à ideia de forçar um comportamento, afirmando o tempo todo que é feliz para tentar se convencer. Não é bem assim que funciona; existem inúmeros fatores internos tão emaranhados que nos impede de simplesmente alterar o humor a partir de um único comando.

O que também não justifica prolongar o sentimento de tristeza emendando numa autopiedade, dependência afetiva, abusos de substâncias químicas e atitudes intempestivas que podem trazer danos maiores e permanentes.

Tudo é de se sentir e de se viver. Alegria e tristeza podem ser antagônicas, mas são complementares. Assim como todos os opostos da Natureza. Quando a gente se permite aceitar no momento em que a tristeza chega, progressivamente, os momentos de alegria tendem a ser mais lúcidos também.

Petisco: Ludovico Einaudi, Waterways. Uma belíssima música instrumental que faz a gente passear por dentro de nós mesmos.

Olhando para o céu


Quando eu olho pro céu eu vejo o quanto toda a paisagem embaixo é pequena.

Isso me conforta, me contenta e me anima. Saber que toda essa bagunça é ínfima perto de todo o Todo que existe. 

A gente vê tanta vida ir embora que às vezes parece normal viver meio morto... Mas não é. Nem normal, nem digno, nem preciso.

Na verdade viver meio morto é uma perda de tempo. Porque passado o momento de assimilação do aprendizado pela quase morte, sabemos que o ar pode voltar a preencher nossos pulmões, então por que não sentir isso também?

Respire fundo agora. Mesmo.

Olhar pro céu e ver as nuvens deslizando lentas e constantes nos faz pensar que nós, tantas vezes nos sentindo tão esfacelados, também podemos seguir nossos caminhos com a mesma integridade que a Natureza nos demonstra, porque somos parte dela.

Este mundo foi construído, mas fazemos parte é do céu.

Petisco: We Are All Made Of Stars - Moby

terça-feira, 6 de março de 2018

Sois nuvens


Independente do quão densa pareça a neblina, eu sei que existe um Sol atrás das nuvens.

Hoje acordei e a manhã estava assim, com o céu todo encoberto, cinza bem clarinho, tão sutil que eu pensei que estava garoando.

Eu particularmente acho um charme ver o dia nublado, porque é como se o Sol estivesse discreto, sem pretensão de chegar com tudo a ponto de incomodar as pessoas. Ele está lá, afinal o dia está claro, mas não precisamos sofrer por causa disso e queimar nossa pele!

Com a gente também é assim: nós temos luz, tanta e tão forte que mal podemos acreditar quando algo inexplicavelmente fantástico acontece! Mas a gente esquece.

Tem dia que a gente esquece da luz, do Sol, da vida e só enxerga névoa, cinza, neblina. O dia claro é opaco ou o Sol que brilha arde, mas pra gente tanto faz. Tem dia que tudo tanto faz.

Aí vem a noite e convida, envolve e as horas passam. Um momento de sono acontece e o dia seguinte se mostra tal qual como você se sente: com o Sol escondido. "Finalmente alguém como eu! Opaco, cinza, turvo,
sutilmente úmido,
fresco,
novo,
limpo..." Então eu percebi ali, naquele cumprimento matinal, que eu e o dia, em tudo o que somos, ambos podemos estar plenos!

Hoje quando acordei percebi que estava ultimamente tentando guardar minha luz só pra mim mesma, escondendo o meu brilho como se eu precisasse economizar energia, como se meu estoque fosse limitado.

Mas se o Sol é todo luz, energia e vida, não há o que precise esconder ou poupar! Há apenas o que irradiar, espalhar, vivificar, trocar, que a fonte se renova!
Nos dias em que o Sol se guarda, dentro ou fora do meu peito, existe sim a paz e tudo de bom que a vida irradia, porque independente do quão densa pareça a neblina, eu sei que existe um Sol atrás das nuvens.

Petisco: Carry on, do Angra. Fabulosa!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

"Veraneio vas..." da cor que você quiser!


Hoje vamos falar da Veraneio, a SUV antigona da Chevrolet.

Produzida de 1964 a 1989, este carrão possui avantajados 5,1m de comprimento, 1,9m de largura e 1,73m de altura. Para se ter uma ideia do tamanho, a badalada Tucson, embora tenha altura e largura similares (próprios da categoria), apresenta notáveis 70cm a menos de extensão.

Durante os primeiros 5 anos, o nome desse carrão era C-1416, mas ele não era convidativo e logo essa belezinha foi rebatizada com o sugestivo nome Veraneio, já que seu espaço interno poderia acomodar até 9 pessoas que tinham a opção de entrar e sair dela confortavelmente por uma de suas 4 portas. Um luxo, não?!

Porém, apesar do pleno conforto para os passeios em família, essa coisa linda logo foi notada em seu potencial para transportar pessoas em momentos pouco prazerosos. É que a robustez e potência da Veraneio faziam uma ótima combinação para que ela fosse usada como ambulância, rabecão e também como viatura policial ("Veraneio vascaína, vem dobrando a esquina...")

Em 1994, apesar de não ser mais fabricada já há 5 anos aqui no Brasil, a Veraneio foi oficialmente substituída pela Blazer que, invariavelmente, acabou tendo destino similar à sua precursora.

Os tempos mudaram e este design não atrai mais muita gente, mas é inegável o fato de que, apesar de ter se tornado obsoleta, a Veraneio dominou a cena nas montadoras por gloriosos 25 anos, enquanto que sua substituta vanguardista (que eu particularmente aprecio muito!), a Blazer, foi fabricada aqui por apenas 6 anos.

Logo, para além da diferença da velocidade com que haviam avanços tecnológicos entre as décadas de 60 e 90, é impossível negar a funcionalidade e o charme dessa lindeza robusta que é a Veraneio.

Petisco do dia: claro! Veraneio Vascaína, originalmente uma canção do Aborto Elétrico, muito famosa pela regravação feita pelo Capital Inicial.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Exposição sobre Renato Russo no MIS



Hoje vou falar da visita que fiz ao MIS, o Museu da Imagem e do Som. A exposição atual é sobre o Renato Russo, ícone do rock nacional e da música brasileira como um todo.

Quando você​ se dispõe a visitar a intimidade de uma pessoa dessas você pensa que vai ver muitas aventuras: afinal, um ícone do rock tem uma vida agitada, passagens pela polícia, se mete vez ou outra em conflitos políticos e é comparado com inúmeros outros artistas,  mas você nunca imagina o quanto essas aventuras tão distantes da sua vida e que parecem ter saído de um roteiro de cinema podem te atravessar a alma tão intensamente.

Será só imaginação minha aquele arrepio nos braços que senti logo na fila de espera para entrar na exposição? Pode ser mera expectativa da fã que eu sou assumidamente desde meus oito anos (ah, a aurora da minha vida!), mas... será?

Alguns objetos especificamente mexeram ainda mais com a minha estrutura de mero visitante que está ali apenas de passagem, curtindo uma tarde de terça-feira em que se entra de graça no museu. Teto e paredes forrados de cartas de fãs, hall de camisas, coleções de tarô e muitos, mas muitos manuscritos originais feitos por aquele que se foi cedo demais. 

Por vezes o corpo todo se arrepia, as pernas fraquejam, o ar falta aos pulmões e aquele nó na garganta brota como que uma bola de pelo de um gatinho. Mas eu, menos felina que os dois que vivem comigo, não saberia lidar com tudo o que estava ali, sem ao menos rememorar todas as canções, todas as canções, todas as canções que fizeram do meu mundo algo menos parecido com o que vejo e um pouco mais assim, mais do meu jeito.

Sensações que partem de fatos, fatos que partem de histórias, de potencial, de imaginação... de uma alma ariana sutil, sedenta de vida e arte e trancada, atada numa existência miseravelmente humana.

Almas arianas que gritam mudamente em forma de desenhos, personagens, enredos e dissertações que, em grande parte, não saem do papel. Pois é... Esse cara que estou descrevendo podia ser meu irmão, aquele que fez meu verão terminar cedo demais há exatos 23 meses na data de hoje. E eu, que nasci num 23, chego a pensar se, quem sabe, quase sem querer, as coincidências se integram neste ciclo vital infinito.

E dane-se o uso de palavras repetidas, mas recomendo a quem puder que se programe para visitar essa exposição multimídia (como tudo no MIS), pois é verdadeiramente impossível sair desse evento da mesma forma que se entrou, porque é igualmente impossível visitar o coração de um gênio ariano e sair de lá sendo apenas um pouco mais do mesmo.

sábado, 11 de março de 2017

Toxicidade


Hoje vou falar de toxicidade. Não aquela presente em substâncias químicas como cocaína ou açúcar refinado, nem das zilhões de partículas do ar carregado das megalópoles. Hoje vou falar sobre a toxicidade mental humana.

A mente é plástica, moldável, direcionável, transmutável. Nossa vibração determina os níveis de clareza mental e o campo energético ao nosso redor. Quem é que consegue ficar perto de alguém que vive falando em problema, que reclama, revive com intensidade os momentos tristes, mas na hora de desfrutar alegrias, diante da oportunidade de transmutar a mente para afirmações positivas, cai na ironia e no deboche?

E se é tão difícil assim conviver com uma pessoa que se apresente nessa situação, por que cargas d’água não nos policiamos para evitar de acabar fazendo igual? Atrocidades, desumanidade, porcarias sempre existiram, mas ao mesmo tempo também sempre existiram boas pessoas, boas atitudes, serenidade. É mais digno consigo mesmo tentar viver bem ou se conformar em arrastar uma existência esperando pelo colapso da matéria?

Chega a ser mesquinha essa toxicidade. Todos nós temos problemas. A pergunta é: vamos ser solidários uns com os outros ou vamos competir a gravidade das desgraças que acessamos perpetuando as mesmas indefinidamente?



Petisco: Esperando por Mim, Legião Urbana. Com destaque para o trecho “Digam o que disserem / O mal do século é a solidão / Cada um de nós imerso em sua própria arrogância / Esperando por um pouco de afeição”  

terça-feira, 17 de maio de 2016

Musa tristeza


Quanta beleza que há na tristeza!
Os contornos retos,
O olhar direto e profundo...
Sincero.

Quanta verdade há na tristeza!
Pois parecer alegre e divertido o tempo todo
...o tempo todo!
No mínimo é de se desconfiar.

Quanta leveza que há na tristeza!
O ceder do pescoço,
O gotejar da lágrima,
O oco som de um suspiro.

Sincera, forte, sutil.

Tudo é de se viver, com certeza.
E tudo o que se vive, finda.
Seja a mais linda alegria
Ou a tão bela quanto ela,
A musa irmã,
Tristeza.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Bate-papo com o Além

  
Primeiro livro escrito por Silveira Sampaio após a morte, "Bate-papo com o Além" é um conjunto de crônicas que ele escreveu a partir de experiências comuns no dia-a-dia do outro lado da vida, mas que para nós, num primeiro momento, parecem um tanto absurdas.

Ele fala sobre se locomover sem precisar caminhar como fazemos aqui, fala da ausência da necessidade de comida, agasalhos ou guarda-chuva, das situações e posturas com as quais nos deixamos levar até desenvolvermos vícios e outros desvios de conduta... Fala do que é ser humano, em carne ou em espírito.

Utilizando da norma culta ao longo das páginas - maneira clássica de se escrever sobre o lado de lá durante o boom espírita dos anos 80 no Brasil, Silveira Sampaio questiona o próprio comportamento ao final de cada crônica, num misto aparente de ironia e pseudo-ingenuidade.

Um livro suave, abordando temas profundos com certa superficialidade, para não chocar quem caminha nos primeiros passos da doutrina Espírita e ao mesmo tempo impossível de decepcionar os curiosos sobre o tema.


Petisco: "Chega de Saudade",  bossa nova delicinha.

Só por Hoje e para Sempre



De uma maneira muito lúcida, Renato Russo entra na proposta da clínica de reabilitação Vila Serena. Transformado em livro, o relato real do início da luta contra a dependência química do líder da melhor banda do rock nacional do Brasil é um deleite para os fãs e uma lição de vida para todos.

Ao longo do livro, Renato Manfredini Junior aborda de maneira muito aberta diversas situações ao longo do caminho até o "seu fundo do poço", intitulado por ele mesmo dessa forma.

É possível fazer uma análise fria do processo de desintoxicação e perceber, ao mesmo tempo, o processo de auto-enfrentamento dos desvios de conduta que, por base, contribuem para o desenvolvimento de vícios.

Segundo a promessa, Só por Hoje e para Sempre é o primeiro de uma série de livros que retratam a evolução de um processo que vai além da desintoxicação em si, se revelando uma verdadeira caminhada para a reinvenção de si mesmo. Particularmente espero pelo próximo volume pois ao terminar a leitura fiquei com um gostinho de quero mais.


Petisco: "Vinte e Nove", de... Legião Urbana

sábado, 23 de janeiro de 2016

A Noite da Grande Magia Branca



A Noite da Grande Magia Branca é um livro muito interessante que envolve natureza, cidadania, fantasia e folclore regional disseminado no Sul do Brasil.

A curumin Teçaya, maga nata, junto com outras meninas de sua tribo, é sequestrada durante uma noite e leva amos para conseguir reunir forças e o aprendizado necessário para tentar enfrentar aquela que ordena as injustiças cometidas no local e que deseja manter o poder sobre todos que escraviza e domina.

Uma aventura muito bem escrita por Simone
Saueressig, suave e que aborda temas como auto-controle, respeito e muitos outros assuntos importantes para o desenvolvimento de uma criança e aprimoramento de adultos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Deve ser Difícil ser Você


Você não pede, manda.
Você não fala, exclama.
Deve ser difícil ser você.

Você não chama, intima.
Não se aborrece, briga.
Deve ser difícil ser você.

Às vezes até reconhece,
Mas não sei o que acontece:
você não faz acontecer.

É chateante. Não diga.
É estressante. Mentira!
Tudo gira em torno de você.

Todos te devem,
Todos te julgam.
Alguém devia
Querer saber
Como vai você?

Todos toleram.
E que tolerem!
Não vou mudar,
Pra que mudar?
Por sua causa?
Ãh? Você?

Mas que bobagem
Essa vidinha:
Você na sua
Eu na minha
E ninguém por mais ninguém.
Ééé... deve ser difícil ser você.

Poderosa? Sem dúvida!
Querida? Ainda.
Tolerável? Graças às mil boas almas que cruzam o teu caminho.

Mas e as almas de lá e de cá que te inspiram,
Te ajudam
E cuidam de ti de um jeito que você jamais cuidaria de alguém como você?
Mas... e você?
O que a tua própria alma te diz de você?
É muito difícil ser.