terça-feira, 6 de março de 2018

Sois nuvens


Independente do quão densa pareça a neblina, eu sei que existe um Sol atrás das nuvens.

Hoje acordei e a manhã estava assim, com o céu todo encoberto, cinza bem clarinho, tão sutil que eu pensei que estava garoando.

Eu particularmente acho um charme ver o dia nublado, porque é como se o Sol estivesse discreto, sem pretensão de chegar com tudo a ponto de incomodar as pessoas. Ele está lá, afinal o dia está claro, mas não precisamos sofrer por causa disso e queimar nossa pele!

Com a gente também é assim: nós temos luz, tanta e tão forte que mal podemos acreditar quando algo inexplicavelmente fantástico acontece! Mas a gente esquece.

Tem dia que a gente esquece da luz, do Sol, da vida e só enxerga névoa, cinza, neblina. O dia claro é opaco ou o Sol que brilha arde, mas pra gente tanto faz. Tem dia que tudo tanto faz.

Aí vem a noite e convida, envolve e as horas passam. Um momento de sono acontece e o dia seguinte se mostra tal qual como você se sente: com o Sol escondido. "Finalmente alguém como eu! Opaco, cinza, turvo,
sutilmente úmido,
fresco,
novo,
limpo..." Então eu percebi ali, naquele cumprimento matinal, que eu e o dia, em tudo o que somos, ambos podemos estar plenos!

Hoje quando acordei percebi que estava ultimamente tentando guardar minha luz só pra mim mesma, escondendo o meu brilho como se eu precisasse economizar energia, como se meu estoque fosse limitado.

Mas se o Sol é todo luz, energia e vida, não há o que precise esconder ou poupar! Há apenas o que irradiar, espalhar, vivificar, trocar, que a fonte se renova!
Nos dias em que o Sol se guarda, dentro ou fora do meu peito, existe sim a paz e tudo de bom que a vida irradia, porque independente do quão densa pareça a neblina, eu sei que existe um Sol atrás das nuvens.

Petisco: Carry on, do Angra. Fabulosa!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

"Veraneio vas..." da cor que você quiser!


Hoje vamos falar da Veraneio, a SUV antigona da Chevrolet.

Produzida de 1964 a 1989, este carrão possui avantajados 5,1m de comprimento, 1,9m de largura e 1,73m de altura. Para se ter uma ideia do tamanho, a badalada Tucson, embora tenha altura e largura similares (próprios da categoria), apresenta notáveis 70cm a menos de extensão.

Durante os primeiros 5 anos, o nome desse carrão era C-1416, mas ele não era convidativo e logo essa belezinha foi rebatizada com o sugestivo nome Veraneio, já que seu espaço interno poderia acomodar até 9 pessoas que tinham a opção de entrar e sair dela confortavelmente por uma de suas 4 portas. Um luxo, não?!

Porém, apesar do pleno conforto para os passeios em família, essa coisa linda logo foi notada em seu potencial para transportar pessoas em momentos pouco prazerosos. É que a robustez e potência da Veraneio faziam uma ótima combinação para que ela fosse usada como ambulância, rabecão e também como viatura policial ("Veraneio vascaína, vem dobrando a esquina...")

Em 1994, apesar de não ser mais fabricada já há 5 anos aqui no Brasil, a Veraneio foi oficialmente substituída pela Blazer que, invariavelmente, acabou tendo destino similar à sua precursora.

Os tempos mudaram e este design não atrai mais muita gente, mas é inegável o fato de que, apesar de ter se tornado obsoleta, a Veraneio dominou a cena nas montadoras por gloriosos 25 anos, enquanto que sua substituta vanguardista (que eu particularmente aprecio muito!), a Blazer, foi fabricada aqui por apenas 6 anos.

Logo, para além da diferença da velocidade com que haviam avanços tecnológicos entre as décadas de 60 e 90, é impossível negar a funcionalidade e o charme dessa lindeza robusta que é a Veraneio.

Petisco do dia: claro! Veraneio Vascaína, originalmente uma canção do Aborto Elétrico, muito famosa pela regravação feita pelo Capital Inicial.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Exposição sobre Renato Russo no MIS



Hoje vou falar da visita que fiz ao MIS, o Museu da Imagem e do Som. A exposição atual é sobre o Renato Russo, ícone do rock nacional e da música brasileira como um todo.

Quando você​ se dispõe a visitar a intimidade de uma pessoa dessas você pensa que vai ver muitas aventuras: afinal, um ícone do rock tem uma vida agitada, passagens pela polícia, se mete vez ou outra em conflitos políticos e é comparado com inúmeros outros artistas,  mas você nunca imagina o quanto essas aventuras tão distantes da sua vida e que parecem ter saído de um roteiro de cinema podem te atravessar a alma tão intensamente.

Será só imaginação minha aquele arrepio nos braços que senti logo na fila de espera para entrar na exposição? Pode ser mera expectativa da fã que eu sou assumidamente desde meus oito anos (ah, a aurora da minha vida!), mas... será?

Alguns objetos especificamente mexeram ainda mais com a minha estrutura de mero visitante que está ali apenas de passagem, curtindo uma tarde de terça-feira em que se entra de graça no museu. Teto e paredes forrados de cartas de fãs, hall de camisas, coleções de tarô e muitos, mas muitos manuscritos originais feitos por aquele que se foi cedo demais. 

Por vezes o corpo todo se arrepia, as pernas fraquejam, o ar falta aos pulmões e aquele nó na garganta brota como que uma bola de pelo de um gatinho. Mas eu, menos felina que os dois que vivem comigo, não saberia lidar com tudo o que estava ali, sem ao menos rememorar todas as canções, todas as canções, todas as canções que fizeram do meu mundo algo menos parecido com o que vejo e um pouco mais assim, mais do meu jeito.

Sensações que partem de fatos, fatos que partem de histórias, de potencial, de imaginação... de uma alma ariana sutil, sedenta de vida e arte e trancada, atada numa existência miseravelmente humana.

Almas arianas que gritam mudamente em forma de desenhos, personagens, enredos e dissertações que, em grande parte, não saem do papel. Pois é... Esse cara que estou descrevendo podia ser meu irmão, aquele que fez meu verão terminar cedo demais há exatos 23 meses na data de hoje. E eu, que nasci num 23, chego a pensar se, quem sabe, quase sem querer, as coincidências se integram neste ciclo vital infinito.

E dane-se o uso de palavras repetidas, mas recomendo a quem puder que se programe para visitar essa exposição multimídia (como tudo no MIS), pois é verdadeiramente impossível sair desse evento da mesma forma que se entrou, porque é igualmente impossível visitar o coração de um gênio ariano e sair de lá sendo apenas um pouco mais do mesmo.

sábado, 11 de março de 2017

Toxicidade


Hoje vou falar de toxicidade. Não aquela presente em substâncias químicas como cocaína ou açúcar refinado, nem das zilhões de partículas do ar carregado das megalópoles. Hoje vou falar sobre a toxicidade mental humana.

A mente é plástica, moldável, direcionável, transmutável. Nossa vibração determina os níveis de clareza mental e o campo energético ao nosso redor. Quem é que consegue ficar perto de alguém que vive falando em problema, que reclama, revive com intensidade os momentos tristes, mas na hora de desfrutar alegrias, diante da oportunidade de transmutar a mente para afirmações positivas, cai na ironia e no deboche?

E se é tão difícil assim conviver com uma pessoa que se apresente nessa situação, por que cargas d’água não nos policiamos para evitar de acabar fazendo igual? Atrocidades, desumanidade, porcarias sempre existiram, mas ao mesmo tempo também sempre existiram boas pessoas, boas atitudes, serenidade. É mais digno consigo mesmo tentar viver bem ou se conformar em arrastar uma existência esperando pelo colapso da matéria?

Chega a ser mesquinha essa toxicidade. Todos nós temos problemas. A pergunta é: vamos ser solidários uns com os outros ou vamos competir a gravidade das desgraças que acessamos perpetuando as mesmas indefinidamente?



Petisco: Esperando por Mim, Legião Urbana. Com destaque para o trecho “Digam o que disserem / O mal do século é a solidão / Cada um de nós imerso em sua própria arrogância / Esperando por um pouco de afeição”  

terça-feira, 17 de maio de 2016

Musa tristeza


Quanta beleza que há na tristeza!
Os contornos retos,
O olhar direto e profundo...
Sincero.

Quanta verdade há na tristeza!
Pois parecer alegre e divertido o tempo todo
...o tempo todo!
No mínimo é de se desconfiar.

Quanta leveza que há na tristeza!
O ceder do pescoço,
O gotejar da lágrima,
O oco som de um suspiro.

Sincera, forte, sutil.

Tudo é de se viver, com certeza.
E tudo o que se vive, finda.
Seja a mais linda alegria
Ou a tão bela quanto ela,
A musa irmã,
Tristeza.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Bate-papo com o Além

  
Primeiro livro escrito por Silveira Sampaio após a morte, "Bate-papo com o Além" é um conjunto de crônicas que ele escreveu a partir de experiências comuns no dia-a-dia do outro lado da vida, mas que para nós, num primeiro momento, parecem um tanto absurdas.

Ele fala sobre se locomover sem precisar caminhar como fazemos aqui, fala da ausência da necessidade de comida, agasalhos ou guarda-chuva, das situações e posturas com as quais nos deixamos levar até desenvolvermos vícios e outros desvios de conduta... Fala do que é ser humano, em carne ou em espírito.

Utilizando da norma culta ao longo das páginas - maneira clássica de se escrever sobre o lado de lá durante o boom espírita dos anos 80 no Brasil, Silveira Sampaio questiona o próprio comportamento ao final de cada crônica, num misto aparente de ironia e pseudo-ingenuidade.

Um livro suave, abordando temas profundos com certa superficialidade, para não chocar quem caminha nos primeiros passos da doutrina Espírita e ao mesmo tempo impossível de decepcionar os curiosos sobre o tema.


Petisco: "Chega de Saudade",  bossa nova delicinha.

Só por Hoje e para Sempre



De uma maneira muito lúcida, Renato Russo entra na proposta da clínica de reabilitação Vila Serena. Transformado em livro, o relato real do início da luta contra a dependência química do líder da melhor banda do rock nacional do Brasil é um deleite para os fãs e uma lição de vida para todos.

Ao longo do livro, Renato Manfredini Junior aborda de maneira muito aberta diversas situações ao longo do caminho até o "seu fundo do poço", intitulado por ele mesmo dessa forma.

É possível fazer uma análise fria do processo de desintoxicação e perceber, ao mesmo tempo, o processo de auto-enfrentamento dos desvios de conduta que, por base, contribuem para o desenvolvimento de vícios.

Segundo a promessa, Só por Hoje e para Sempre é o primeiro de uma série de livros que retratam a evolução de um processo que vai além da desintoxicação em si, se revelando uma verdadeira caminhada para a reinvenção de si mesmo. Particularmente espero pelo próximo volume pois ao terminar a leitura fiquei com um gostinho de quero mais.


Petisco: "Vinte e Nove", de... Legião Urbana