terça-feira, 17 de maio de 2016
Musa tristeza
Quanta beleza que há na tristeza!
Os contornos retos,
O olhar direto e profundo...
Sincero.
Quanta verdade há na tristeza!
Pois parecer alegre e divertido o tempo todo
...o tempo todo!
No mínimo é de se desconfiar.
Quanta leveza que há na tristeza!
O ceder do pescoço,
O gotejar da lágrima,
O oco som de um suspiro.
Sincera, forte, sutil.
Tudo é de se viver, com certeza.
E tudo o que se vive, finda.
Seja a mais linda alegria
Ou a tão bela quanto ela,
A musa irmã,
Tristeza.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Bate-papo com o Além
Primeiro
livro escrito por Silveira Sampaio após a morte, "Bate-papo com o Além"
é um conjunto de crônicas que ele escreveu a partir de experiências
comuns no dia-a-dia do outro lado da vida, mas que para nós, num
primeiro momento, parecem um tanto absurdas.
Ele fala sobre se locomover sem precisar caminhar como fazemos aqui, fala da ausência da necessidade de comida, agasalhos ou guarda-chuva, das situações e posturas com as quais nos deixamos levar até desenvolvermos vícios e outros desvios de conduta... Fala do que é ser humano, em carne ou em espírito.
Utilizando da norma culta ao longo das páginas - maneira clássica de se escrever sobre o lado de lá durante o boom espírita dos anos 80 no Brasil, Silveira Sampaio questiona o próprio comportamento ao final de cada crônica, num misto aparente de ironia e pseudo-ingenuidade.
Um livro suave, abordando temas profundos com certa superficialidade, para não chocar quem caminha nos primeiros passos da doutrina Espírita e ao mesmo tempo impossível de decepcionar os curiosos sobre o tema.
Ele fala sobre se locomover sem precisar caminhar como fazemos aqui, fala da ausência da necessidade de comida, agasalhos ou guarda-chuva, das situações e posturas com as quais nos deixamos levar até desenvolvermos vícios e outros desvios de conduta... Fala do que é ser humano, em carne ou em espírito.
Utilizando da norma culta ao longo das páginas - maneira clássica de se escrever sobre o lado de lá durante o boom espírita dos anos 80 no Brasil, Silveira Sampaio questiona o próprio comportamento ao final de cada crônica, num misto aparente de ironia e pseudo-ingenuidade.
Um livro suave, abordando temas profundos com certa superficialidade, para não chocar quem caminha nos primeiros passos da doutrina Espírita e ao mesmo tempo impossível de decepcionar os curiosos sobre o tema.
Petisco: "Chega de Saudade", bossa nova delicinha.
Só por Hoje e para Sempre
De uma
maneira muito lúcida, Renato Russo entra na proposta da clínica de
reabilitação Vila Serena. Transformado em livro, o relato real do início
da luta contra a dependência química do líder da melhor banda do rock
nacional do Brasil é um deleite para os fãs e uma lição de vida para
todos.
Ao longo do livro, Renato Manfredini Junior aborda de maneira muito aberta diversas situações ao longo do caminho até o "seu fundo do poço", intitulado por ele mesmo dessa forma.
É possível fazer uma análise fria do processo de desintoxicação e perceber, ao mesmo tempo, o processo de auto-enfrentamento dos desvios de conduta que, por base, contribuem para o desenvolvimento de vícios.
Segundo a promessa, Só por Hoje e para Sempre é o primeiro de uma série de livros que retratam a evolução de um processo que vai além da desintoxicação em si, se revelando uma verdadeira caminhada para a reinvenção de si mesmo. Particularmente espero pelo próximo volume pois ao terminar a leitura fiquei com um gostinho de quero mais.
Petisco: "Vinte e Nove", de... Legião Urbana
sábado, 23 de janeiro de 2016
A Noite da Grande Magia Branca
A
Noite da Grande Magia Branca é um livro muito interessante que envolve
natureza, cidadania, fantasia e folclore regional disseminado no Sul do
Brasil.
A curumin Teçaya, maga nata, junto com outras meninas de sua tribo, é sequestrada durante uma noite e leva amos para conseguir reunir forças e o aprendizado necessário para tentar enfrentar aquela que ordena as injustiças cometidas no local e que deseja manter o poder sobre todos que escraviza e domina.
Uma aventura muito bem escrita por Simone Saueressig, suave e que aborda temas como auto-controle, respeito e muitos outros assuntos importantes para o desenvolvimento de uma criança e aprimoramento de adultos.
A curumin Teçaya, maga nata, junto com outras meninas de sua tribo, é sequestrada durante uma noite e leva amos para conseguir reunir forças e o aprendizado necessário para tentar enfrentar aquela que ordena as injustiças cometidas no local e que deseja manter o poder sobre todos que escraviza e domina.
Uma aventura muito bem escrita por Simone Saueressig, suave e que aborda temas como auto-controle, respeito e muitos outros assuntos importantes para o desenvolvimento de uma criança e aprimoramento de adultos.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Deve ser Difícil ser Você
Você não pede, manda.
Você não fala, exclama.
Deve ser difícil ser você.
Você não chama, intima.
Não se aborrece, briga.
Deve ser difícil ser você.
Às vezes até reconhece,
Mas não sei o que acontece:
você não faz acontecer.
É chateante. Não diga.
É estressante. Mentira!
Tudo gira em torno de você.
Todos te devem,
Todos te julgam.
Alguém devia
Querer saber
Como vai você?
Todos toleram.
E que tolerem!
Não vou mudar,
Pra que mudar?
Por sua causa?
Ãh? Você?
Mas que bobagem
Essa vidinha:
Você na sua
Eu na minha
E ninguém por mais ninguém.
Ééé... deve ser difícil ser você.
Poderosa? Sem dúvida!
Querida? Ainda.
Tolerável? Graças às mil boas almas que cruzam o teu caminho.
Mas e as almas de lá e de cá que te inspiram,
Te ajudam
E cuidam de ti de um jeito que você jamais cuidaria de alguém como você?
Mas... e você?
O que a tua própria alma te diz de você?
É muito difícil ser.
quinta-feira, 20 de março de 2014
O Santo e a Porca
Esta obra, datada de 1957, retrata basicamente o conflito entre o materialismo e a fé. Ariano Suassuna, com sua maestria em criar histórias irreverentes e de profundidade moral é o autor da obra.
Três mulheres apaixonadas procuram resolver suas questões
amorosas, encaminhando o andamento de seus possíveis casamentos, enquanto o
patriarca da família de duas dessas mulheres divide-se, alucinadamente, entre
sua devoção por Santo Antonio e sua avareza, consolidada em uma porca de
madeira cheia de dinheiro dentro, herdada de seu avô. O apego à porca aumentou
desde o falecimento de sua esposa, a quem devotava imenso amor e dependência
emocional. Há também a questão de sua filha, com quem pretende casar com um
homem de posses que lhes garanta o futuro.
A confusão se instala pela constante desconfiança de Eurico,
dono da porca, sobre todos os outros frequentadores de sua casa. Ele fica
sempre à espreita de flagrar alguém furtando seu dinheiro. Além deste fato,
Caroba, uma das pessoas que trabalha em sua casa, com sua astúcia e
boa vontade, cria toda uma situação para que os casais enamorados possam se
juntar sem que haja escândalos perante a sociedade e nem desgostos sentimentais.
No final da trama Eurico descobre que de fato foi furtado e,
desolado, cai em desespero. Graças à astúcia de Caroba e à contribuição de
todos os outros, os entraves que impediam que os casais ficassem juntos foram
eliminados. O sumiço da porca pouco depois também foi solucionado e, absorto em
sua avareza, Eurico nem havia se dado conta de que todo o dinheiro que havia lá
de nada mais valia, pois fora substituído ao longo dos anos. Irredutível,
Eurico permanece preso ao seu apego pelo objeto, e embora todos em torno dele
terem tentado dissuadi-lo de permanecer só e juntar-se a uma grande família que
se formava, optou por permanecer sozinho, dividindo-se entre as conversas com
Santo Antonio e as lamúrias acerca do fato de ter uma porca de pouca valia para
lhe garantir a tão sonhada velhice tranquila.
A história nos remete ao quanto frequentemente nos
preocupamos com questões secundárias ao nosso bem-estar e deixamos de desfrutar
o que a vida tem de melhor a nos oferecer. Uma velhice tranquila seria muito mais
efetiva estando rodeado pela família, com seu sustento garantido - já que o
noivo de sua filha era filho de um fazendeiro possuidor de muitas terras, do
que sozinho e preso a o que lhe resta de material.
Levando essa história para a vida de cada um de nós, dentro
de uma comparação, certamente seremos capazes de perceber que nossa vida
continua, apesar das "porcas", dos "santos" e das situações
do passado que insistimos em nos devotar cega e continuamente. Qual é a nossa
verdadeira riqueza?
segunda-feira, 17 de março de 2014
Jacinta
O que leva uma pessoa a enfrentar as mais terríveis adversidades e seguir adiante? Será um ideal, uma teimosia, uma tolice? Ou será um apelo desesperado da consciência, clamando para ser levada em consideração na hora de se encarar a vida? Seja como for, esta foi a opção de Jacinta, magistralmente interpretada por Andrea Beltrão, que esteve em cartaz no SESC Vila Mariana.
Eu, como atual estudante de teatro, pude perceber a
diferença de assistir a uma peça vendo o ator como alguém distante, dono de um
sonho que também é meu, e como colega de trabalho, alguém que compartilha dos
mesmos desafios e deleites do ofício de ser.
Sim, o parágrafo acima termina com a palavra “ser”, pois
quando se busca preencher a essência, escutando e seguindo a consciência,
simplesmente se é e nenhum adjetivo pseudo-complementar poderia concluir de
fato tal afirmação.
Persistir, ir adiante, enfrentar os traumas, os fantasmas e
as tormentas do dia a dia é um trabalho para cada um de nós: diretores de
nossas próprias peças, condutores de nossas próprias vidas.
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