sábado, 11 de março de 2017

Toxicidade


Hoje vou falar de toxicidade. Não aquela presente em substâncias químicas como cocaína ou açúcar refinado, nem das zilhões de partículas do ar carregado das megalópoles. Hoje vou falar sobre a toxicidade mental humana.

A mente é plástica, moldável, direcionável, transmutável. Nossa vibração determina os níveis de clareza mental e o campo energético ao nosso redor. Quem é que consegue ficar perto de alguém que vive falando em problema, que reclama, revive com intensidade os momentos tristes, mas na hora de desfrutar alegrias, diante da oportunidade de transmutar a mente para afirmações positivas, cai na ironia e no deboche?

E se é tão difícil assim conviver com uma pessoa que se apresente nessa situação, por que cargas d’água não nos policiamos para evitar de acabar fazendo igual? Atrocidades, desumanidade, porcarias sempre existiram, mas ao mesmo tempo também sempre existiram boas pessoas, boas atitudes, serenidade. É mais digno consigo mesmo tentar viver bem ou se conformar em arrastar uma existência esperando pelo colapso da matéria?

Chega a ser mesquinha essa toxicidade. Todos nós temos problemas. A pergunta é: vamos ser solidários uns com os outros ou vamos competir a gravidade das desgraças que acessamos perpetuando as mesmas indefinidamente?



Petisco: Esperando por Mim, Legião Urbana. Com destaque para o trecho “Digam o que disserem / O mal do século é a solidão / Cada um de nós imerso em sua própria arrogância / Esperando por um pouco de afeição”  

terça-feira, 17 de maio de 2016

Musa tristeza


Quanta beleza que há na tristeza!
Os contornos retos,
O olhar direto e profundo...
Sincero.

Quanta verdade há na tristeza!
Pois parecer alegre e divertido o tempo todo
...o tempo todo!
No mínimo é de se desconfiar.

Quanta leveza que há na tristeza!
O ceder do pescoço,
O gotejar da lágrima,
O oco som de um suspiro.

Sincera, forte, sutil.

Tudo é de se viver, com certeza.
E tudo o que se vive, finda.
Seja a mais linda alegria
Ou a tão bela quanto ela,
A musa irmã,
Tristeza.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Bate-papo com o Além

  
Primeiro livro escrito por Silveira Sampaio após a morte, "Bate-papo com o Além" é um conjunto de crônicas que ele escreveu a partir de experiências comuns no dia-a-dia do outro lado da vida, mas que para nós, num primeiro momento, parecem um tanto absurdas.

Ele fala sobre se locomover sem precisar caminhar como fazemos aqui, fala da ausência da necessidade de comida, agasalhos ou guarda-chuva, das situações e posturas com as quais nos deixamos levar até desenvolvermos vícios e outros desvios de conduta... Fala do que é ser humano, em carne ou em espírito.

Utilizando da norma culta ao longo das páginas - maneira clássica de se escrever sobre o lado de lá durante o boom espírita dos anos 80 no Brasil, Silveira Sampaio questiona o próprio comportamento ao final de cada crônica, num misto aparente de ironia e pseudo-ingenuidade.

Um livro suave, abordando temas profundos com certa superficialidade, para não chocar quem caminha nos primeiros passos da doutrina Espírita e ao mesmo tempo impossível de decepcionar os curiosos sobre o tema.


Petisco: "Chega de Saudade",  bossa nova delicinha.

Só por Hoje e para Sempre



De uma maneira muito lúcida, Renato Russo entra na proposta da clínica de reabilitação Vila Serena. Transformado em livro, o relato real do início da luta contra a dependência química do líder da melhor banda do rock nacional do Brasil é um deleite para os fãs e uma lição de vida para todos.

Ao longo do livro, Renato Manfredini Junior aborda de maneira muito aberta diversas situações ao longo do caminho até o "seu fundo do poço", intitulado por ele mesmo dessa forma.

É possível fazer uma análise fria do processo de desintoxicação e perceber, ao mesmo tempo, o processo de auto-enfrentamento dos desvios de conduta que, por base, contribuem para o desenvolvimento de vícios.

Segundo a promessa, Só por Hoje e para Sempre é o primeiro de uma série de livros que retratam a evolução de um processo que vai além da desintoxicação em si, se revelando uma verdadeira caminhada para a reinvenção de si mesmo. Particularmente espero pelo próximo volume pois ao terminar a leitura fiquei com um gostinho de quero mais.


Petisco: "Vinte e Nove", de... Legião Urbana

sábado, 23 de janeiro de 2016

A Noite da Grande Magia Branca



A Noite da Grande Magia Branca é um livro muito interessante que envolve natureza, cidadania, fantasia e folclore regional disseminado no Sul do Brasil.

A curumin Teçaya, maga nata, junto com outras meninas de sua tribo, é sequestrada durante uma noite e leva amos para conseguir reunir forças e o aprendizado necessário para tentar enfrentar aquela que ordena as injustiças cometidas no local e que deseja manter o poder sobre todos que escraviza e domina.

Uma aventura muito bem escrita por Simone
Saueressig, suave e que aborda temas como auto-controle, respeito e muitos outros assuntos importantes para o desenvolvimento de uma criança e aprimoramento de adultos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Deve ser Difícil ser Você


Você não pede, manda.
Você não fala, exclama.
Deve ser difícil ser você.

Você não chama, intima.
Não se aborrece, briga.
Deve ser difícil ser você.

Às vezes até reconhece,
Mas não sei o que acontece:
você não faz acontecer.

É chateante. Não diga.
É estressante. Mentira!
Tudo gira em torno de você.

Todos te devem,
Todos te julgam.
Alguém devia
Querer saber
Como vai você?

Todos toleram.
E que tolerem!
Não vou mudar,
Pra que mudar?
Por sua causa?
Ãh? Você?

Mas que bobagem
Essa vidinha:
Você na sua
Eu na minha
E ninguém por mais ninguém.
Ééé... deve ser difícil ser você.

Poderosa? Sem dúvida!
Querida? Ainda.
Tolerável? Graças às mil boas almas que cruzam o teu caminho.

Mas e as almas de lá e de cá que te inspiram,
Te ajudam
E cuidam de ti de um jeito que você jamais cuidaria de alguém como você?
Mas... e você?
O que a tua própria alma te diz de você?
É muito difícil ser.



quinta-feira, 20 de março de 2014

O Santo e a Porca



Esta obra, datada de 1957, retrata basicamente o conflito entre o materialismo e a fé. Ariano Suassuna, com sua maestria em criar histórias irreverentes e de profundidade moral é o autor da obra.
 
Três mulheres apaixonadas procuram resolver suas questões amorosas, encaminhando o andamento de seus possíveis casamentos, enquanto o patriarca da família de duas dessas mulheres divide-se, alucinadamente, entre sua devoção por Santo Antonio e sua avareza, consolidada em uma porca de madeira cheia de dinheiro dentro, herdada de seu avô. O apego à porca aumentou desde o falecimento de sua esposa, a quem devotava imenso amor e dependência emocional. Há também a questão de sua filha, com quem pretende casar com um homem de posses que lhes garanta o futuro.

A confusão se instala pela constante desconfiança de Eurico, dono da porca, sobre todos os outros frequentadores de sua casa. Ele fica sempre à espreita de flagrar alguém furtando seu dinheiro. Além deste fato, Caroba, uma das pessoas que trabalha em sua casa, com sua astúcia e boa vontade, cria toda uma situação para que os casais enamorados possam se juntar sem que haja escândalos perante a sociedade e nem desgostos sentimentais.
 
No final da trama Eurico descobre que de fato foi furtado e, desolado, cai em desespero. Graças à astúcia de Caroba e à contribuição de todos os outros, os entraves que impediam que os casais ficassem juntos foram eliminados. O sumiço da porca pouco depois também foi solucionado e, absorto em sua avareza, Eurico nem havia se dado conta de que todo o dinheiro que havia lá de nada mais valia, pois fora substituído ao longo dos anos. Irredutível, Eurico permanece preso ao seu apego pelo objeto, e embora todos em torno dele terem tentado dissuadi-lo de permanecer só e juntar-se a uma grande família que se formava, optou por permanecer sozinho, dividindo-se entre as conversas com Santo Antonio e as lamúrias acerca do fato de ter uma porca de pouca valia para lhe garantir a tão sonhada velhice tranquila.

A história nos remete ao quanto frequentemente nos preocupamos com questões secundárias ao nosso bem-estar e deixamos de desfrutar o que a vida tem de melhor a nos oferecer. Uma velhice tranquila seria muito mais efetiva estando rodeado pela família, com seu sustento garantido - já que o noivo de sua filha era filho de um fazendeiro possuidor de muitas terras, do que sozinho e preso a o que lhe resta de material.

Levando essa história para a vida de cada um de nós, dentro de uma comparação, certamente seremos capazes de perceber que nossa vida continua, apesar das "porcas", dos "santos" e das situações do passado que insistimos em nos devotar cega e continuamente. Qual é a nossa verdadeira riqueza?